Através desse blog quero descrever o complexo mundo esportivo abordando todo assunto referente a qualquer esporte. Seja amador ou profissional. Além de noticiar, comentar e registrar.
Em suma, você está lendo um blog que mistura em torno do mundo esportivo: geografia, jornalismo, história e filosofia. Além de curiosidades, comentários e manifestos.
Muitos clássicos de bairro aconteciam na várzea da Praça Nossa Senhora de Nazaré, ao lado da igreja de mesmo nome, em Anchieta. O Esporte Clube Royal e o Mocidade Futebol Clube tiveram seus dias de glória, inclusive revelando grandes jogadores do futebol carioca, mas, no início dos anos 60, quem comandava a várzea era o Anchieta Futebol Clube. O time que antes tinha como maior craque um rapaz conhecido como "Orelha de pau", futuro jogador da equipe veterana deum dos rivais, em um passe de mágica montou um elenco quase profissional que chegou a disputar a divisão de acesso do campeonato carioca.
Obviamente, tinha alguém por trás daquela máquina de jogar bola. Lógico, com algum interesse.
Essa pessoa, por incrível que pareça, estava dentro de campo: Tarzan, o goleiro. Na verdade, ele atuava como goleiro apenas nas horas vagas e não tinha nenhum talento para a posição. Seu apelido também nada tinha a ver com alguma peripécia que ele pudesse fazer embaixo das traves.Mesmo assim, ele sempre podia jogar. Afinal, era o dono do time. Esse personagem enigmático era bicheiro na região nos áureos tempos do jogo, em que o dono das bancas se tornava um semi-deus, além de ser reconhecido como uma figura folclórica, sempre com cordões de ouro e blusa aberta.O mito de Tarzan foi reforçado por ele ser o único goleiro que jogava armado do qual se teve notícia na história do futebol.
Embora tivesse gozado de certo sucesso financeiro com as jogatinas, ele jamais se esquecera do seu sonho de ser jogador de futebol. Tarzan não gostava de ver seu time perder, tanto que montou um bom elenco para impedir o adversário de chutar ao gol. Porém, às vezes, mesmo com toda a competitividade, era inevitável. A derrota parecia iminente em algumas ocasiões. Então, como ninguém tinha ouvido falar em fair-play, o goleiro dava um jeito de mudar as diretrizes do jogo. Aliás, era esse seu maior talento. Do nada, após o intervalo, o Anchieta reagia de maneira surpreendente. Era inacreditável como o adversário parava para assistir ao time de Tarzan dentro de campo.
Assim foi criada uma das maiores invencibilidades da história do futebol, mesmo não sendo conquistada na bola.
Hoje, reencontrei em Niterói, o peruano Diego Pérez que cursa antropologia na UFF (Universidade Federal Fluminense) que vem ficando cada dia meu amigo, eu o conheci por acaso, quando uma amiga me convidou para ir a Praça da Cantareira (localizada também em território niteroiense), não sei como, mas o nosso primeiro contato foi falando sobre futebol, era ano de Copa do Mundo no Brasil, quando íamos conversando e bebendo cerveja, reparei que pelo seu sotaque que não era brasileiro, logo perguntei de onde ele era, quando soube que era peruano, falei dos times de lá e isso o impressionou pelo fato de eu ser brasileiro e conhecer tanto (acima da média brasileira pelo o menos), o futebol do Peru (isso, por si só, já simboliza muita coisa, como o quanto nós brasileiros, conhecemos mais a Europa por exemplo, do que os nossos vizinhos).
Rebello e Pérez: Alianza e Flamengo - futebol e cultura sem fronteiras
Depois daquele dia seguimos mantendo contato pelo Facebook, e o futebol, mais uma vez foi crucial para além da troca de informações selarmos nossa amizade. Pérez é um grande estudioso de futebol assim como eu, buscando sempre compreender e problematizar o quanto esse esporte bretão pode ser tão influente em todas as partes do mundo e como seu uso pode vir a ser político, estratégico mas também como pode ser a porta de entrada para o conhecimento de outras culturas, como experiência particular: aprendi quando guri muito sobre geografia, fuso horário e história através das transmissões que assistia das Copas do Mundo e sempre tinha mentalmente pontos de referências de lugares que nunca fui e acabava pesquisando inconscientemente outras coisas que fugia totalmente do esporte e compartilhava com outros adeptos ou até mesmo com quem não suportava o tal "ópio do povo" vulgo futebol e até hoje devo bastante a essa modalidade esportiva o enriquecimento de meu reportório cultural.
"Acordo Diplomático": rubro-negro Pérez e blanco y azul Rebello
Nessa tarde, parecia até encontro de presidentes de Brasil x Peru (claro que isso é uma brincadeira)
e até nos chamamos de presidentes, pois conversamos de questões indígenas, diferenças culturais à políticas tanto as daqui quanto as de lá e claro, para selarmos o nosso "acordo diplomático" trocamos as camisetas de nossos clubes de coração (Flamengo e Alianza Lima) assim representando de maneira simbólica os nossos países. Atitude a meu ver mais sincera do que tivéssemos nos presenteados com as camisas das seleções brasileira e peruana, pois para começar nem todos os brasileiros e peruanos são adeptos as suas seleções e tampouco aos clubes, logo o mais honesto, já que não iríamos abranger a todos, mas sim tínhamos como meta mesmo que singela, de representar nossos países via futebol, ou seja através dos clubes que somos torcedores mas isso não significa que a troca de camisas de seleções não seria válida. Contudo, a maioria dos torcedores, não tem nem a metade da identificação com as seleções como se tem com os clubes de coração.
ClVb Alianza Lima
Pérez ficou surpreso quando lhe disse que preferia o Flamengo à Seleção Brasileira (torço para ambos mas não tem como comparar a minha torcida pelo Mengão), como argumento de sua surpresa, ele disse que a seleção brasileira ganhou muitos títulos ao contrário da peruana que tem como meta principal voltar a disputar uma Copa do Mundo, mas o que vale, é a nossa identificação: com o que temos contatos mais vezes e que sentimos presentes e não apenas mero espectadores como somos das seleções, salvo em época de torneios continentais e mundiais, de resto, como "torcedores clubísticos" temos vários rituais, como o de Pérez e os demais torcedores se recusam a escrever a letra "U" quando se tem que escrever o nome do Club Alianza Lima logo a grafia muda para Clvb Alianza Lima, tudo porque o "U" substituído pelo "V" simboliza o escudo de seu arquirrival, o Club Universitario de Deportes, dificilmente vemos algo assim com os torcedores de seleções nacionais.
E assim o futebol estreita contatos de amizade, de pesquisa e profissional, visto que eu já trabalho com futebol e em breve, acredito que o Pérez também trabalhará seja fora ou dentro da acadêmia, sábado próximo o levarei em Itaboraí para assistir Gonçalense x Americano de Campos dos Goytacazes, jogo válido pela Taça Corcovado, segundo turno do Campeonato Carioca Série B, ele se mostrou bastante entusiasmado sobre essa perspectiva de futebol "lado b", de como é consumido pelo público sendo que os atrativos na perspectiva comercial seria baixa, por ser tratar de clubes pequenos porém há um público fiel que embora não torçam por esses clubes "com o coração" torcem por identificação, seja local ou por alguma outra forma qualquer mas sobretudo por sua paixão pelo futebol e isso, tanto para jornalistas, geógrafos e antropólogos é um prato cheio ou melhor é como se fosse um gol.
Detalhe: posso afirmar que Pérez tornou-se flamenguista de carteirinha, o levei para conhecer a Livraria da Imprensa Oficial que tem um ótimo projeto intitulado como Mais Leituraonde livros novos custam entre R$2 e R$3, Caso o comprador compre dez livros, um exemplar sai de graça mas para isso é preciso fazer a carteirinha no ato da compra.
E é claro que aproveitamos a viagem para comprar livros não apenas sobre futebol, que por sorte haviam alguns que logo arrematamos.
Atualização: assista abaixo a reportagem do jogo que levei o Pérez para assistir, aproveitei a oportunidade para entrevistá-lo também.
Passando por um dos bares mais antigos - e relés - de Olinda, primeiro bairro de Nilópolis, soube que ali fora a sede do Estrela de Ouro Football Club, lendário time amador do final dos anos 50.
Apadrinhada pela viúva mais jovem, bela e apossada da região, a equipe vencia quase todos os campeonatos dos quais participava. O título mais importante foi o campeonato da Baixada Fluminense, cuja final foi um clássico nilopolitano: Estrela de Ouro X Arranca Toco, time do Paiol, bairro vizinho.
A equipe chamava atenção tanto dentro quanto fora de campo, ou melhor, da várzea. Dentro de campo, a principal estrela era o goleiro "Coelinho" - também conhecido como Antônio Escobar, meu tio-avô. Todos garantiam sua semelhança física e técnica com o goleiro Gylmar, bicampeão mundial pela seleção brasileira. Ficou conhecido pelo apelido por ser o maior ladrão de alface do bairro, pulando as cercas das casas vizinhas. Aliás, pular cerca era uma de suas maiores habilidades: foi o maior namorador da história de Olinda.
Já fora de campo, as histórias eram muitas. Geralmente se passavam nos bailes que o clube promovia para arrecadar fundos. Entretanto, as mais homéricas eram por conta da esposa de Zizinho, centroavante do time. Às escondidas, todos os jogadores, inclusive a comissão técnica, se relacionavam com ela - e daí descobriram porque o seu marido fazia tantos gols de cabeça, piada da qual ele jamais desconfiara.
Foi uma pena que a história dos meninos do "amarelo-ouro nilopolitano" tenha durado tão pouco e tenha terminado de maneira tão trágica. Em um momento de confraternização pós-jogo, o caquético caminhão cedido por uma loja de material de construção ao Estrela de Ouro acabou atropelando a tal viúva, que chegava a ser madrinha do time.
Através desse texto quero explicitar uma breve opinião pessoal sobre a profissão de técnico no até então, penta campeão mundial de futebol...
Para começar, sem números de vitórias seguidas ou planejadas, o treinador não presta! Não importa se está (re)começando um trabalho, implantando sua filosofia, (re)conhecendo o elenco, enfim, passa a não prestar de uma hora pra outra, sendo que o próximo "salvador da pátria" diga-se de passagem temporário que irá substituí-lo evidentemente será outro treinador.
Outra! Como a estrela do time que ganha na maioria das vezes, remuneração astronômica, infinitamente maior a do seu "chefe" vulgo técnico, irá respeitá-lo? Sem contar influências de patrocinadores, investidores, dirigentes e afins, voltando a relação eternamente tênue entre astro do time x técnico, vale destacar que quaisquer divergência, o clube sempre tenderá a apoiar o contra-cheque mais caro mas não venho aqui afirmar ou defender que a remuneração do técnico deva ser astronômico, apenas estou pontuado uma situação a fim de ilustrar a falta de identidade no padrão tático dos times brasileiros porque claramente o rodízio de treinadores torna-se cada vez mais frequente, logo, os clubes parecem barcos a deriva sem comandante no leme...
Abaixo, vídeo do ex-meia Beto que revela na entrevista concedida ao "Esporte Fantástico" da Rede Record que já pediu a diretoria de Grêmio e Flamengo, para que Sebastião Lazaroni e Joel Santana, respectivamente fossem demitidos e como álibi usou sua posição na época de jogador valorizado. Tão logo a questão cultural sobre a dança de treinadores no Brasil não é apenas cultural, por ser monetária também.
Hoje fiz mais uma cobertura do Gonçalense Futebol Clube na série b do Campeonato Carioca com meu coletivo audiovisual Moinhos de Vento porque temos como projeto cobrir todos os jogos dessa agremiação de São Gonçalo em busca do tão sonhado acesso a elite do Estadual do Rio de Janeiro, sendo assim, temos como meta: registrar a adesão da torcida por sentir-se identificada com o clube que tem apenas um ano e já conseguiu conquistar no ano passado a terceira divisão e no turno passado da segundona desse ano, ter feito frente a clubes considerados favoritos como o clássico America (vencendo pelo placar mínimo de 1x0), com esse pretexto, aproveitamos para dá voz aos torcedores e jogadores dos clubes adversários com intuito de termos um material histórico-sociológico-geográfico, mas isso é um outro papo para uma outra postagem, pois nesta, irei ser breve.
Há pouco, o tricolor metropolitano mais uma vez não conseguiu vencer (em três rodadas até então, apenas somou dois pontos: derrota na estreia contra a Portuguesa da Ilha do Governador por 3x2, e dois empates, o primeiro contra o Ceres em um, e horas atrás contra o São João da Barra em zero, com direito a pênalti adversário desperdiçado), então, já na minha casa, de banho tomado, separando as imagens e áudios para a próxima edição do Moinhos Expresso - A Notícia Que Pede Passagem, me deparo no Facebook com um breve texto do poeta flamenguista e gonçalense (nascido na cidade e torcedor pelo clube da mesma) Rodrigo Santos que relata a saga do torcedor que em seu mundo paralelo, tudo, mas tudo, sem exceção é contra o seu time, segue o breve escrito abaixo:
Porque torcer é irracional e arrebatador.
JOGO CONTRA
Contra o meu time todo juiz tem má vontade. Contra meu time até a umidade relativa do ar atrapalha. Contra meu time estão todos – que são muitos – que não torcem por ele, e ficam secando pra gente errar até lateral. Contra meu time a mulher do juiz dormiu de calça, a mãe dele fez plantão na zona pra pagar a faculdade de educação física dele e o pai batia com tamanco de madeira. Contra meu time a bola está vazia, o gramado é um buraco só e o sol bate na cara do goleiro. Contra meu time a bola não entra por capricho, o gol fica menor e o goleiro adversário recebeu a bênção do Papa, do pastor e do pai de santo minutos antes de entrar em campo. Contra meu time o bandeira é cego, o gandula é manco e o maqueiro é surdo.
A favor do meu time, só eu. Eu, minha camisa surrada, minha bandeira manchada de chuvas pregressas e marcas de mordida. E vamos ganhar.
O goleiro Julio do Gonçalense tirando uma das pipas (cafifas) de campo.
Após ler e curtir a atualização de status do poeta gonçalense, lembrei-me da tarde de domingo que passei lá no Estádio Proletário Guilherme da Silveira popularmente conhecido como Estádio de Moça Bonita, do Bangu que fica situado no bairro homônimo, no subúrbio carioca - onde o Gonçalense fazia seu torcedor sofrer e reclamar tal como o texto de Santos sugere e ainda acrescento, até, pipas (ou cafifas como se chama em São Gonçalo) caíram na reta final da segunda etapa, aumentando ainda mais a agonia dos jogadores tricolores e do público presente.
O volante Índio caindo da maca junto com um dos maqueiros que o carregava
Somado a isso, o volante Índio do São João da Barra estava fazendo aquela velha catimba no gramado, valorizando a falta, logo, entram dois maqueiros dispostos a tirá-los de campo rapidamente mas com tanta pressa para economizar o máximo de segundos da partida, um dos maqueiros cai com o jogador do SJB sobre a maca, logo, gastam mais alguns segundos que não fariam tanta falta analisando friamente mas para quem torce? Tudo está contra seu time e é por isso que o futebol é apaixonante.
O site internacional "Footy Headlines" especializado em uniformes e acessórios de futebol deixou vazar uma foto da suposta nova camisa que o Clube de Regatas do Flamengodeverá usar entre os anos de 2015 e 2016. Segue a descrição publicada pelo site:
Tradicionalmente, o novo Adidas Flamengo 2015-16 apresenta um design vermelho e preto nas listras da camisa. A frente e a parte de trás da nova camisa do Flamengo 2015 possui quatro listras vermelhas e três listras pretas com o escudo do Flamengo em uma das listras pretas.
A Adidas apresenta um gola na cor preta bastante simplista para o novo uniforme do Flamengo 2015-2016 em comparação ao modelo anterior que contou com uma gola polo clássica. A barra é também das cores pretas e uma listra branca na parte inferior da camisa para completar o design moderno do uniforme.
O modelo da nova camisa disponível não apresenta nenhum logotipo patrocinador ainda. Apesar de ser relatado que a empresa Jeep poderá tornar-se o novo patrocinador da camisa do Flamengo.
Esse provável modelo lembra bastante o sucesso de outra camisa preta e vermelha, a da seleção alemã, utilizada na Copa do Mundo de 2014, inclusive na implacável goleada de 7x1 sobre a seleção brasileira, comandada na época pelo técnico Luiz Felipe Scolari, no Mineirão, em Belo Horizonte. A camisa da Alemanha usada na copa foi vendida até nas lojas oficiais do Flamengo, lembrando que a Adidas, fornecedora de material esportivo, patrocina o clube carioca, aproveitando o ensejo da copa ser no Brasil para abrir mercado e se firmar em outros clubes.
A Adidas aproveitou a popularidade do clube que tem a alcunha de ser "o mais querido do Brasil" para desenvolver como marketing estratégico um uniforme inspirado no time da Gávea a fim de ganhar adeptos. A tática parece que deu certo, até por se confundir com outros rubro-negros brasileiros.
Pelo visto a Adidas seguirá insistindo nesse design preto e vermelho, pois o provável novo uniforme do Bayern Leverkusen também é bastante parecido com o do Flamengo.