domingo, 31 de maio de 2015

Força, São Cristóvão!

No penúltimo dia do mês de maio na lendária rua Bariri em Olaria/RJ, o clássico São Cristóvão foi o mandante da partida e recebeu o Gonçalense em um confronto direto em busca da classificação para a fase decisiva da Taça Corcovado, segundo turno do Campeonato Carioca Série B e eu fui cobrir essa duelo.
Ronaldo recebendo das mãos do presidente Emanoel França
 a camisa do clube que o revelou para o futebol, em 2014.
O clube da rua Figueira de Melo perdeu para os gonçalenses de 2x1 mas o que chamou minha

atenção não foi o placar mas sim o adversário que saiu derrotado daquele jogo, pois fiquei boa parte do tempo na torcida do São Cristóvão e testemunhei poucos mas fiéis torcedores que vibravam e cobravam os jogadores comandados do novato treinador Athirson (ídolo do Flamengo) que desde que chegou ao "time dos cadetes" mudou o objetivo na temporada: de fugir da queda para Série C do Estadual, passando a sonhar e lutar pela classificação à fase decisiva da Taça Corcovado. Naquela tarde um torcedor chamado Adilson uniformizado com a camisa da empresa de ônibus que trabalha, conversando comigo no intervalo afirmou que acreditava na classificação e declarou seu amor pelo "São Cri Cri", no fim das contas, ele acabou me concedendo uma entrevista, da qual, citou o maior ídolo dos "cadetes", Ronaldo Nazario, apesar de sua admiração pelo ex-camisa 9 da seleção brasileira, ele também emitiu sua opinião sobre o Fenômeno não investir no clube de seu coração apesar de ter comprado um clube de futebol nos Estados Unidos da América.


- Olha! Eu não sei te dizer se ele não ajudou o São Cristóvão ou se ele nunca ajudou o São Cristóvão, não sei se te dizer ao certo, eu acho que ele poderia fazer algo a mais, não por mágoa ou por alguma coisa mas por gratidão. Ele saiu daqui do São Cristóvão, muitos lugares fecharam suas portas para ele na época e o São Cristóvão foi um lugar que abriu as portas, ele veio treinar aqui e daqui ele surgiu para o futebol. Eu acho que o jogador tem que ter essa relação de carinho e atenção para com o clube, eu vejo muitos jogadores ajudando clubes pequenos como o Cafu que abriu um centro de treinamento para as crianças e outros jogadores importantes e eu fico vendo o Ronaldo investir o dinheiro lá fora, tudo bem, eu acho que ele deve sonhar com isso mas por que não investir no São Cristóvão? Por que não de repente pegar um time como esse aqui e fazer o São Cristóvão crescer? Fazer o São Cristóvão vim pra cima e ser uma potencia no futebol nacional e do Rio de Janeiro? Acho que seria interessante o Ronaldo pensar um pouco nisso.

Assista a reportagem do confronto entre São Cristóvão x Gonçalense:



Depois que desliguei a câmera e o gravador vim refletindo no caminho com os pensamentos intercalados, ora pensava no roteiro de edição da reportagem mas também pensava e refletia sobre o histórico São Cristóvão, clube tão tradicional, campeão carioca em 1926, que revelou o Ronaldo, sua sede fica na região central da capital fluminense e mesmo assim, mal consegue sobreviver, lembrei-me também da matéria do André Naddeo do Portal Terra (abaixo), o título da vídeo reportagem já denuncia a gravidade atual da situação do clube: "São Cristóvão pede ajuda a Ronaldo Fenômeno" no mínimo, além de lamentável, é triste, pois ali, poderia ter investimentos de tantos patrocinadores que desse ao São Cristóvão possibilidade de ressurgir, de abrir portas para mais atletas, empregar mais gente e de aderir projetos sociais atrelados ao esporte. 




ostentam os escudos com as cores dos 
Certamente um projeto de marketing bem feito daria lucro e visibilidade a qualquer patrocinador que investisse nessa recuperação, visto que a marca São Cristóvão além de vintage é forte e querida no imaginário dos apaixonados por futebol (que não são poucos). 

Sem dúvidas, uma agremiação de tradição como esta, merece uma chance de sair do limbo do qual se encontra, 

Por ora, além de produzir outras reportagens futuras, só me resta a desejar: "Força, São Cristóvão!" e seguir torcendo por bons resultados dentro e fora do campo e que os bons tempos voltem logo a esse histórico clube que me cativa por sua história e resiliência nessa era de futebol moderno.




quarta-feira, 27 de maio de 2015

Quando uma charge diz mais que mil palavras... III


Afase promove atividades esportivas em São Gonçalo/RJ

Divulgando e registrando...
Nos próximos dias 29 e 30 de maio, a Associação Figueiredo Assistencial Social e Educacional (Afase) realiza a Caminhada da Família. O evento, que é gratuito, será dividido em dois dias. Na sexta-feira
haverá uma palestra no auditório da Faculdade Paraíso, às 19h30, com um tema que trata dos relacionamentos familiares.
No sábado acontece a caminhada, a partir das 8h. O trajeto será realizado na Rua Jaime Figueiredo (Rua da Caminhada), partindo da I9 Music e terminando na Faculdade Paraíso. Ao final do trajeto, diversas atividades serão realizadas no ginásio da faculdade para pessoas de todas as idades, como: cama elástica, muro de escalada, tirolesa, badminton, basquete, slackline, espaço infantil e muito mais.
- Nosso objetivo é reunir as famílias numa caminhada diferente, onde haverão algumas inserções durante o percurso. Na chegada, acontecerão diversas atividades gratuitas. É um dia de lazer para que as famílias curtam juntas - declarou o gestor da Afase, Bruno Madeira.

O evento idealizado pela Afase tem por objetivo a reunião de diversas famílias num dia repleto de atividades físicas, aliando desta forma diversão e qualidade de vida.

Divulgação/Afase

Serviço:

Caminhada da Família
Dia 29 - Palestra no auditório da Faculdade Paraíso - Horário: 19h30 (Rua Visconde de Itaúna, nº 2676 - Paraíso).


Dia 30 - Caminhada (saída em frente a I9 Music, às 8h) - Após a caminhada, atividades de lazer na Faculdade Paraíso.

Divulgação/Afase

DOENÇA AUTOIMPUNE


Foto: Diego Pérez - 23/05/2015 - Gonçalense x Americano (Campeonato Carioca Série B)












Eu sou o cara que grita no alambrado.
Eu sou o cara que morde os nós dos dedos
Quando o gol quase sai.
Sou o cara que destrói a reputação
Da mãe do juiz - sem conhecê-la.
O cara que cospe no bandeirinha.
Eu sou o cara que fica pedindo bola,
Gritando o tempo inteiro: “Toca no lateral!”
Eu sou o cara que manda o lateral abrir
E pedir bola. “Vai, orelhudo, pede bola!”
Eu sou o cara que compra um Fofura no intervalo
E desce as arquibancadas pra fumar
Na parada técnica.
Que canta todas as músicas da torcida organizada,
Que manda a torcida adversária tomar no cu
- mesmo sem nem enxergar direito quem são,
Ou ter interesse algum no usufruto anal alheio.

Eu sou o cara.
O cara que abraça o desconhecido ao gritar gol.
O cara que grita gol até quando não é.
Que vê impedimento fantasma,
Pênalti inexistente, má-vontade do gandula,
- mas não vê falta em chutar a cara do inimigo.
O cara que sai do estádio cabisbaixo,
Sem ver solução para a vida, 
Quando vê empatar jogo fácil,
Ou perder jogo difícil.
Que beija a bandeira, cospe a palavra,
Que consegue ver paz entre muçulmanos e israelenses
Quando meu time vence.
E meu time vence.
Embalado pelas vozes apaixonadas
De milhares, centenas, dezenas, um.
Eu.

Porque eu sou só mais um cara
Que gosta de futebol.




domingo, 24 de maio de 2015

O DONO DO TIME

Praça Nossa Senhora de Nazaré em Anchieta/RJ
Muitos clássicos de bairro aconteciam na várzea da Praça Nossa Senhora de Nazaré, ao lado da igreja de mesmo nome, em Anchieta. O Esporte Clube Royal e o Mocidade Futebol Clube tiveram seus dias de glória, inclusive revelando grandes jogadores do futebol carioca, mas, no início dos anos 60, quem comandava a várzea era o Anchieta Futebol Clube. O time que antes tinha como maior craque um rapaz conhecido como "Orelha de pau", futuro jogador da equipe veterana de um dos rivais, em um passe de mágica montou um elenco quase profissional que chegou a disputar a divisão de acesso do campeonato carioca.


Obviamente, tinha alguém por trás daquela máquina de jogar bola. Lógico, com algum interesse.
Essa pessoa, por incrível que pareça, estava dentro de campo: Tarzan, o goleiro. Na verdade, ele atuava como goleiro apenas nas horas vagas e não tinha nenhum talento para a posição. Seu apelido também nada tinha a ver com alguma peripécia que ele pudesse fazer embaixo das traves. Mesmo assim, ele sempre podia jogar. Afinal, era o dono do time. Esse personagem enigmático era bicheiro na região nos áureos tempos do jogo, em que o dono das bancas se tornava um semi-deus, além de ser reconhecido como uma figura folclórica, sempre com cordões de ouro e blusa aberta. O mito de Tarzan foi reforçado por ele ser o único goleiro que jogava armado do qual se teve notícia na história do futebol.



Embora tivesse gozado de certo sucesso financeiro com as jogatinas, ele jamais se esquecera do seu sonho de ser jogador de futebol. Tarzan não gostava de ver seu time perder, tanto que montou um bom elenco para impedir o adversário de chutar ao gol. Porém, às vezes, mesmo com toda a competitividade, era inevitável. A derrota parecia iminente em algumas ocasiões. Então, como ninguém tinha ouvido falar em fair-play, o goleiro dava um jeito de mudar as diretrizes do jogo. Aliás, era esse seu maior talento. Do nada, após o intervalo, o Anchieta reagia de maneira surpreendente. Era inacreditável como o adversário parava para assistir ao time de Tarzan dentro de campo.
Assim foi criada uma das maiores invencibilidades da história do futebol, mesmo não sendo conquistada na bola.


(Crônica da várzea de Anchieta)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O dia em que me senti Presidente do Brasil...

Hoje, reencontrei em Niterói, o peruano Diego Pérez que cursa antropologia na UFF (Universidade Federal Fluminense) que vem ficando cada dia meu amigo, eu o conheci por acaso, quando uma amiga me convidou para ir a Praça da Cantareira (localizada também em território niteroiense), não sei como, mas o nosso primeiro contato foi falando sobre futebol, era ano de Copa do Mundo no Brasil, quando íamos conversando e bebendo cerveja, reparei que pelo seu sotaque que não era brasileiro, logo perguntei de onde ele era, quando soube que era peruano, falei dos times de lá e isso o impressionou pelo fato de eu ser brasileiro e conhecer tanto (acima da média brasileira pelo o menos), o futebol do Peru (isso, por si só, já simboliza muita coisa, como o quanto nós brasileiros, conhecemos mais a Europa por exemplo, do que os nossos vizinhos). 

Rebello e Pérez: Alianza e Flamengo - futebol e cultura sem fronteiras
Depois daquele dia seguimos mantendo contato pelo Facebook, e o futebol, mais uma vez foi crucial para além da troca de informações selarmos nossa amizade. Pérez é um grande estudioso de futebol assim como eu, buscando sempre compreender e problematizar o quanto esse esporte bretão pode ser tão influente em todas as partes do mundo e como seu uso pode vir a ser político, estratégico mas também como pode ser a porta de entrada para o conhecimento de outras culturas, como experiência particular: aprendi quando guri muito sobre geografia, fuso horário e história através das transmissões que assistia das Copas do Mundo e sempre tinha mentalmente pontos de referências de lugares que nunca fui e acabava pesquisando inconscientemente outras coisas que fugia totalmente do esporte e compartilhava com outros adeptos ou até mesmo com quem não suportava o tal "ópio do povo" vulgo futebol e até hoje devo bastante a essa modalidade esportiva o enriquecimento de meu reportório cultural. 

"Acordo Diplomático": rubro-negro Pérez e blanco y azul Rebello
Nessa tarde, parecia até encontro de presidentes de Brasil x Peru (claro que isso é uma brincadeira)
e até nos chamamos de presidentes, pois conversamos de questões indígenas, diferenças culturais à políticas tanto as daqui quanto as de lá e claro, para selarmos o nosso "acordo diplomático" trocamos as camisetas de nossos clubes de coração (Flamengo e Alianza Lima) assim representando de maneira simbólica os nossos países. Atitude a meu ver mais sincera do que tivéssemos nos presenteados com as camisas das seleções brasileira e peruana, pois para começar nem todos os brasileiros e peruanos são adeptos as suas seleções e tampouco aos clubes, logo o mais honesto, já que não iríamos abranger a todos, mas sim tínhamos como meta mesmo que singela, de representar nossos países via futebol, ou seja através dos clubes que somos torcedores mas isso não significa que a troca de camisas de seleções não seria válida. Contudo, a maioria dos torcedores, não tem nem a metade da identificação com as seleções como se tem com os clubes de coração.

ClVb Alianza Lima
Pérez ficou surpreso quando lhe disse que preferia o Flamengo à Seleção Brasileira (torço para ambos mas não tem como comparar a minha torcida pelo Mengão), como argumento de sua surpresa, ele disse que a seleção brasileira ganhou muitos títulos ao contrário da peruana que tem como meta principal voltar a disputar uma Copa do Mundo, mas o que vale, é a nossa identificação: com o que temos contatos mais vezes e que sentimos presentes e não apenas mero espectadores como somos das seleções, salvo em época de torneios continentais e mundiais, de resto, como "torcedores clubísticos" temos vários rituais, como o de Pérez e os demais torcedores se recusam a escrever a letra "U" quando se tem que escrever o nome do Club Alianza Lima logo a grafia muda para Clvb Alianza Lima, tudo porque o "U" substituído pelo "V" simboliza o escudo de seu arquirrival, o Club Universitario de Deportes, dificilmente vemos algo assim com os torcedores de seleções nacionais.

E assim o futebol estreita contatos de amizade, de pesquisa e profissional, visto que eu já trabalho com futebol e em breve, acredito que o Pérez também trabalhará seja fora ou dentro da acadêmia, sábado próximo o levarei em Itaboraí para assistir Gonçalense x Americano de Campos dos Goytacazes, jogo válido pela Taça Corcovado, segundo turno do Campeonato Carioca Série B, ele se mostrou bastante entusiasmado sobre essa perspectiva de futebol "lado b", de como é consumido pelo público sendo que os atrativos na perspectiva comercial seria baixa, por ser tratar de clubes pequenos porém há um público fiel que embora não torçam por esses clubes "com o coração" torcem por identificação, seja local ou por alguma outra forma qualquer mas sobretudo por sua paixão pelo futebol e isso, tanto para jornalistas, geógrafos e antropólogos é um prato cheio ou melhor é como se fosse um gol.

Detalhe: posso afirmar que Pérez tornou-se flamenguista de carteirinha, o levei para conhecer a Livraria da Imprensa Oficial que tem um ótimo projeto intitulado como Mais Leitura onde livros novos custam entre R$2 e R$3, Caso o comprador compre dez livros, um exemplar sai de graça mas para isso é preciso fazer a carteirinha no ato da compra. 

E é claro que aproveitamos a viagem para comprar livros não apenas sobre futebol, que por sorte haviam alguns que logo arrematamos.



Atualização: assista abaixo a reportagem do jogo que levei o Pérez para assistir, aproveitei a oportunidade para entrevistá-lo também.


terça-feira, 19 de maio de 2015

ESTRELA DE OURO FOOTBALL CLUB

Passando por um dos bares mais antigos - e relés - de Olinda, primeiro bairro de Nilópolis, soube que ali fora a sede do Estrela de Ouro Football Club, lendário time amador do final dos anos 50.

Apadrinhada pela viúva mais jovem, bela e apossada da região, a equipe vencia quase todos os campeonatos dos quais participava. O título mais importante foi o campeonato da Baixada Fluminense, cuja final foi um clássico nilopolitano: Estrela de Ouro X Arranca Toco, time do Paiol, bairro vizinho.

A equipe chamava atenção tanto dentro quanto fora de campo, ou melhor, da várzea. Dentro de campo, a principal estrela era o goleiro "Coelinho" - também conhecido como Antônio Escobar, meu tio-avô. Todos garantiam sua semelhança física e técnica com o goleiro Gylmar, bicampeão mundial pela seleção brasileira. Ficou conhecido pelo apelido por ser o maior ladrão de alface do bairro, pulando as cercas das casas vizinhas. Aliás, pular cerca era uma de suas maiores habilidades: foi o maior namorador da história de Olinda.

Já fora de campo, as histórias eram muitas. Geralmente se passavam nos bailes que o clube promovia para arrecadar fundos. Entretanto, as mais homéricas eram por conta da esposa de Zizinho, centroavante do time. Às escondidas, todos os jogadores, inclusive a comissão técnica, se relacionavam com ela - e daí descobriram porque o seu marido fazia tantos gols de cabeça, piada da qual ele jamais desconfiara.

Foi uma pena que a história dos meninos do "amarelo-ouro nilopolitano" tenha durado tão pouco e tenha terminado de maneira tão trágica. Em um momento de confraternização pós-jogo, o caquético caminhão cedido por uma loja de material de construção ao Estrela de Ouro acabou atropelando a tal viúva, que chegava a ser madrinha do time.
Se não fosse o luto, o time iria longe.


(Crônica Baixadense)